Ah, a beleza sincera do mundo.
O passo em falso e o abismo,
Que seja, o absurdo.
Mas, ainda prefiro a beleza do mundo.
O doce salgado do mar e o azul profundo.
(Sim, aquele computador do xadrez).
Qual nada, ainda nos resta a beleza do mundo.
Absorto e impávido colosso de costas ao chão.
Será feita a tua vontade, não te desespera beleza
Do mundo. E o mundo o que te fez? Diga beleza!
Ou junte estas coisas imundas e parta daqui; vá s'embora
Do mundo. Que te acolhe, acaricia, brinca, chora e
ri, desgasta, some, perfuma, pinta, lava, passa, come e abraça
O mundo. Sim, a beleza é banal. Banal qual esfera ôca e a ilha,
sozinha, intrépida, valente. Mas banal sim, banal como tudo, pois banal
É o mundo.
Tuesday, January 15, 2008
Sunday, January 13, 2008
"it's your dream, it's your destiny"
Esta foi a parte final do discurso do Presidente George W. Bush em ocasião de sua visita ao Oriente Médio. Hoje, em Abu Dhabi, este tão criticado sujeito mostrou que seus assessores, assim como boa parte da direita intelectualizada americana, têm conseguido renovar e aprimorar sobremaneira o ideário conservador. Certo é que dizer que a democracia é um sonho e um destino levanta inúmeras questões. Questões por demais complexas que eu, mero Gulliver, não me atreveria, neste momento, a tentar responder. Meu sentimento, no entanto, é o de aqui concordar com esse odioso senhor e com seu agradável sotaque texano (isto não foi uma ironia). Quero acreditar na democracia como estágio avançado de socialização humana, como índice de universalização, como passo majoritário em direção à dignidade da pessoa humana. Passo este que não é único, mas é decisivo. Passo fundamental para a construção de um ideal posterior de solidariedade onde, aí sim, todos poderemos nos fazer diferentes mesmo sendo iguais. Independente de diferenças culturais ou de processos civilizatórios, acredito na democracia para todos.
Devo dar o braço a torcer. Achei brilhante boa parte do discurso do Presidente. O que não significa que compartilhe de sua política externa ou de seu plexo de idéias neocons. Enfim, lá no fundo, apesar de viajarmos em lados distantes no espectro ético-político, parecemos querer coisas semelhantes.
Ao menos em nossos discursos*.
*: aí está uma boa discussão. Bush também pareceria um Gulliver?
Sunday, January 06, 2008
Pequenas Anotações ou Um Diário Serve Para Isso
Fiz uma pequena viagem ao Sertão Mineiro. Fiz, mas isto não importa. O que acho que pretendo dizer, na verdade, é que, durante esta calorosa viagem, fui surpreendido pela gostosa leitura de um clássico da literatura Infanto-Juvenil: Guliver's Travels. Lindo, excelente, contagiante, versátil e tudo o mais que uma obra-prima deve conter. Ótimo, estou amadrecendo bem o meu desejo de visitar todas as grandes obras que agradaram as crianças e que, de alguma forma, não foram exatamente escritas para elas. Isto, entretanto, também não importa agora.
Convém simplesmente anotar aqui que, na última noite, algo me amendrotou e me fez fraquejar. Será que este jovenzinho que escreve não é, em verdade, e sempre será, um projeto avançado de Guliver? Será que todos os dias em que subi o Aglomerado da Serra, disposto sinceramente a ajudar; a transformar; a transcender; a rir; a chorar; a trabalhar; a compartilhar (repito, sinceramente), não fiz mais do que observar como um gigante monstruoso o que foi a derrota, o declínio de pequenos humanos? Temo ter me limitado a enxergar as coisas numa escala equivocada, tendo uma visão ampla e generalizada daquilo que é bonito em sua totalidade, isto é, naquela universalidade que resguarda os traços mais singulares. Será que meus passos foram os mesmos daquele Guliver que chega a Liliput como um Leviatã, como um Homem-Montanha?
Apenas pequenas notas.
Ah, resolvi seguir, desta vez, o conselho de meu velho pai: comprei um caderno que vai se transformar em diário. Porquê? Porque acho que o ano de 2008 vai entrar para a história.
Monday, December 17, 2007
dear old stockholm
Thursday, November 15, 2007
Vigia noturno
Há exatos dois meses eu nada escrevo neste diário. Há quase 36 anos, minha Avó comprava "Noites do Sertão", livro que mudaria por completo sua vida.
Faz mesmo algum sentido se assentar em frente a um computador e digitar letras que formam palavras tão carregadas de preconceitos e de paixões?
Surupita é um pobre coitado ou um herói de verdade? Andam por aí contadores de histórias que relatam feitos fabulosos; cantam as aventuras de valentes homens que eram capazes de vencer o calor e a sede, de suplantar as dores mais agudas, de levar bois e boiadas inteiras até o Goiás. Mas de nada adianta lembrar as realizações de pobres caboclos se eles continuam sendo escravos; se os senhores somente lhes permitem a morte, enquanto esquecimento.
Trabalhar, sabe? --> transformar as coisas de um jeito profundo. Acho que, em verdade, é um pouco isso que a gente sonha. Uma cama bonita, uma roseira defronte da casa, e quatro luas no céu. E depois morrer e virar estrela; ficar brilhando a noite inteira vendo o povo dormindo. Saudade que dá na gente, dá.
Moi, je pense qu'établir quelque moyen-terme c'est un grand erreur. Je n'aime pas Aristote.
Um milhão de formigas no quarto. Juro, todas elas tentando pular na minha cama.
" Tudo porque você veio e ficou. O violão é um pedaço grande do meu coração, que agora entoa esta canção e a alegria de viver".
Saturday, September 15, 2007
Atrevimento sincero
De ti, ainda que em mim, permanecerá para sempre uma imagem em preto e branco.
O vestido esvoaçado, o cabelo preso e o sapatinho de boneca.
E rodar: rodar eternamente nesse encantamento sincero em que tudo é possível.
Pois, de grão em grão, cada filigrana de areia ríspida se esvai desse meu coração.
Um beijo - um beijo daqueles que só podem ser dados em estado ebrifestivo - é a epifania e a catarse.
É a redenção; a tão famosa redenção.
O vestido esvoaçado, o cabelo preso e o sapatinho de boneca.
E rodar: rodar eternamente nesse encantamento sincero em que tudo é possível.
Pois, de grão em grão, cada filigrana de areia ríspida se esvai desse meu coração.
Um beijo - um beijo daqueles que só podem ser dados em estado ebrifestivo - é a epifania e a catarse.
É a redenção; a tão famosa redenção.
Teu beijo é redentor, menina!, e por isso me atrevo a aqui descrever o indescritível.
Saturday, August 18, 2007
O pior ainda está por vir.
Graviora Manent.
"Adeus amigo porco, amigo sapo, amiga anta. Voltarei ao último recanto onde ainda é possível sonhar. Se sonho, é porque é de sonho que precisais: é em sonho que vos salvo".
O baú d'ouro, o pé-de-feijão, a bota de sete léguas.
"Adeus amigo porco, amigo sapo, amiga anta. Voltarei ao último recanto onde ainda é possível sonhar. Se sonho, é porque é de sonho que precisais: é em sonho que vos salvo".
O baú d'ouro, o pé-de-feijão, a bota de sete léguas.
Saturday, July 28, 2007
Brincadeiras e Traquinices no Reino Mágico da Fantasia Encantada
Um dia de morte todo dia.E o dia invisível é um regalo.Um dia de abissofobia.E o dia invisível do estalo.
De onde tiras tamanha euforia?Compete-me navegar triste páralo?Desperto em tua caligrafia,encontro descanso ao fim do ralo.
Prensa de Deus é enorme abadia.Crianças choram de encontro ao malo.Mas não me pergunte se miaou se rosna o canhestro cavalo.
Rir.
Friday, July 06, 2007
Passeio
Eis que o andar redime. O tenro ocaso que ora reflete o sangue das ruas é a mais aconchegante companhia nestes dias cinzentos: os dias sem-fim. A humidade imunda e a fuligem cerrada também são grandes companheiras. Caminhamos todos, lado a lado, numa perfeita simetria democrática em que cada um é obrigado a respeitar os demais; todos sabemos os limites de nossas liberdades. As gotículas enturvecidas pela poluição dos carros não se atrevem, por exemplo, a tomar o lugar da fuligem que entra por minhas narinas e atinge meu pulmão asmático. Quase uma república.
Entretanto, devo me manter firme. O andar redime, como já dizia. Entro cada vez mais em contato com a cidade e a cidade, como ser instintivo que é, começa a impregnar minha pele. Eu gosto muito disso tudo. "Mais uma dose de adrenalina, por favor - assim eu consigo me sentir um pouco mais morto". Maravilhoso! sinta o cheiro acre que emana destes boeiros. Sinta a inefabilidade dos caminhões e ambulâncias que percorrem cada ruela; sinta o Estado entrando nos guetos com o giroflex ligado e pronto para matar e matar; sinta o quão sirênicas são as luzes dos postes; sinta a inexistência tangível das estrelas. "Starless".
Não te desespera, amigo. O andar ainda redime.
"A natureza que se constitui na história humana - no ato de criação da sociedade humana - é a natureza real do homem; por isso a natureza, tal como se constitui através da indústria - ainda que sob uma forma alienada -, é a verdadeira natureza antropológica." Karl Marx, Der historiche Materialismus: Die Frühschriften.
Entretanto, devo me manter firme. O andar redime, como já dizia. Entro cada vez mais em contato com a cidade e a cidade, como ser instintivo que é, começa a impregnar minha pele. Eu gosto muito disso tudo. "Mais uma dose de adrenalina, por favor - assim eu consigo me sentir um pouco mais morto". Maravilhoso! sinta o cheiro acre que emana destes boeiros. Sinta a inefabilidade dos caminhões e ambulâncias que percorrem cada ruela; sinta o Estado entrando nos guetos com o giroflex ligado e pronto para matar e matar; sinta o quão sirênicas são as luzes dos postes; sinta a inexistência tangível das estrelas. "Starless".
Não te desespera, amigo. O andar ainda redime.
"A natureza que se constitui na história humana - no ato de criação da sociedade humana - é a natureza real do homem; por isso a natureza, tal como se constitui através da indústria - ainda que sob uma forma alienada -, é a verdadeira natureza antropológica." Karl Marx, Der historiche Materialismus: Die Frühschriften.
Saturday, June 02, 2007
Dois velhos Comendo

Dois velhos comendo. Óleo sobre muro passado à tela de Goya. Imagem soturna e lôbrega, pintada pelo espanhol, que sugere dois seres humanos decrépitos, cavados e esburacados pela ação do tempo. Sugere.
Esta obra, que é classificada como pertencente à série "pinturas negras", trás um desconforto logo à primeira vista. A quantidade de cores escuras e os traços pouco regulares nos retiram o foco e nos retiram a esperança. "Tempo sobre homem".
O interessante é que a figura nos sugere um novo olhar. Um segundo olhar. E é assim que somos obrigados a nos afastar. Dois passos para trás são necessários . Pois bem, diferentemente da ratio iluminista que nos força a chegar cada vez mais perto e, cada vez mais, iluminar os objetos de nossa razão, Goya nos faz recuar; é no recuo que somos capazes de finalmente focalizar a imagem. Somos impelidos a apreciar a escuridão, o sombrio, o sinistro. Somos obrigados a ver o entorno que nossa razão cisma em escurecer. É neste ponto exato que não conseguimos mais desviar o olhar pura e simplesmente: enxergamos o além que estava enturvecido pela luz. O velho de olhos macabros; o velho cadavérico; a morte. A velhice não é a velhice morta sem a pobreza. Era isso.
Era a pobreza que estava escondida. Era a pobreza que não poderia ser olhada de perto. Goya nos mostra o que temos feito, o quão responsáveis somos pela escuridão do quadro. O ensombrado desperto insinua o dever de sairmos de nós mesmos e voltarmos. Precisamos necessariamente refletir sobre a causa da desgraça daqueles dois homens que, com os passos para trás, já não mais o são. Se o mal pode ser representado, a representação definitiva da pobreza é essa: obscura, de difícil focalização; solitária mesmo quando acompanhada; velha, ultrapassada, decadente; desamparada. Enfim, é o olhar.
O ver quando é forçado repugna, amedronta. Novamente a visão parece ficar turva e os olhos teimosamente se fecham ao ir embora. Chega de Goya. Chega de pobreza.
Sunday, March 25, 2007
désormais, désormais
Désormais, j'ajouterai la poésie.
Poésie complémentaire.
Doravante, em cada esquina que eu veja,
em cada esquina que se sinta,
em cada encruzilhada.
O complemento da vida em palavras,
as palavras retratadas, desvairadas.
O ar seco, doidivanas!
Ma puissance, mes mots.
Poésie complémentaire.
Doravante, em cada esquina que eu veja,
em cada esquina que se sinta,
em cada encruzilhada.
O complemento da vida em palavras,
as palavras retratadas, desvairadas.
O ar seco, doidivanas!
Ma puissance, mes mots.
Tuesday, March 20, 2007
Augere
Importante na vida é a gente se fazer lembrar.- É a gente lembrar que é possível ser lembrado.
- Pois lembre-se que, outrossim, a lembrança é o avesso do esquecimento.
- Esquecer o esquecimento é se lembrar?
- Lembrar de quando a gente se lembrava é assumir que já havíamos esquecido.
Lembra de mim?
Monday, February 26, 2007
Canção da Partida
" Minha jangada vai sair pro mar
Vou trabalhar, meu-bem-querer.
Se Deus quiser, quando eu voltar do mar
Um peixe bom eu vou trazer.
Meus companheiros também vão voltar
E a Deus do céu vamos agradecer".
Sublime.
Hegel não havia escutado Dorival Caymmi quando disse que "o fim da arte é superar a arte".
Vou trabalhar, meu-bem-querer.
Se Deus quiser, quando eu voltar do mar
Um peixe bom eu vou trazer.
Meus companheiros também vão voltar
E a Deus do céu vamos agradecer".
Sublime.
Hegel não havia escutado Dorival Caymmi quando disse que "o fim da arte é superar a arte".
Wednesday, January 24, 2007
A catarse no brejo ou Sapo e tristeza na Beira do Rio
Olha lá o sapo brejeiro!
Corre sapo tunante, corre e entra no rio.
Tua necedade se abre enquanto diabo-sorrio.
Olha lá que sapo matreiro!
Umas mil tunas de sapos com frio.
Mexe e te escondes: vai sapo vadio!
Olha lá que sapo dengueiro...
Em vão dissimulas teu vistoso brio.
Sapo brejeiro, sapo em vadio compadrio.
A Floresta pega fogo e o sapo, aquele mesmo sapo estulto e vadio, lança-se em louca perdição. A margem do rio não esconde o afã das chamas. A casa do sapo, a beira do rio, agora é um triste lamento. O sapo que passava frio agora queima na fúria do homem e na fúria do fogo. Triste destino.
Ó desditoso companheiro, compadeço-me em teu penar. O fogo que te queima expurga as paixões que me assolam.
Eu te reconheço.
Corre sapo tunante, corre e entra no rio.
Tua necedade se abre enquanto diabo-sorrio.
Olha lá que sapo matreiro!
Umas mil tunas de sapos com frio.
Mexe e te escondes: vai sapo vadio!
Olha lá que sapo dengueiro...
Em vão dissimulas teu vistoso brio.
Sapo brejeiro, sapo em vadio compadrio.
A Floresta pega fogo e o sapo, aquele mesmo sapo estulto e vadio, lança-se em louca perdição. A margem do rio não esconde o afã das chamas. A casa do sapo, a beira do rio, agora é um triste lamento. O sapo que passava frio agora queima na fúria do homem e na fúria do fogo. Triste destino.
Ó desditoso companheiro, compadeço-me em teu penar. O fogo que te queima expurga as paixões que me assolam.
Eu te reconheço.
Sunday, January 14, 2007
Inflexão morosófica.
Em meio à cordialidade que me é inerente, gostaria de fazer mais alguns apontamentos sobre tudo o que remete à loucura e ao pensamento morosófico saturnino. Cordialidade e loucura, talvez, devessem ser interpretadas e interpeladas de uma mesma maneira: na minha opinião cordialidade pode ser explicada como o aspecto mais sublime daquilo que se entende por loucura. A cordialidade é a loucura em estado bruto, é aquilo que nos impede de ser racional na vida em sociedade, é aquilo que nos impede uma construção mais sólida de uma democracia, é aquilo que nos impede a fixação de um liame moderno. Só mesmo um louco pode não saber exatamente a diferença entre o que é público e o que é privado, você há de concordar.
Certo, não restam mais dúvidas. Mas o que pode fazer, então, uma nação de loucos? Uma nação formada por seres humanos que amam demais, por seres humanos muitas vezes mais interessados na beleza dos sentimentos do que na leveza do capital ou na dureza de uma república sólida e rígida, cheia de modernices, cheia de certezas. Aquela xícara de açucar você não deve ter recusado, certo?
Ultimamente eu tenho tido medo destas certezas todas, destas todas certezas. Tolices criadas por alguns franceses, uns ingleses e uns alemães (quiçá uns norte-americanos) e incorporadas por nós em solos férteis regados ao melhor sal europeu. (E aqueles que nutrem certeza na ciência? Estes chegam a me divertir muito, mais talvez do que aqueles racionalistas divertiam Erasmo. Os mais certos na ciência geralmente são aqueles que menos a conhecem, tamanha a ironia e a lógica desta relação). A loucura cordial é uma das formas de libertação destas lógicas certas, destas lógicas, da lógica.Ultimamente eu tenho tido medo destas certezas todas.
Afinal de contas, como já diria o nosso querido Érico Veríssimo, na voz de Francisco Vacariano: "eu ainda duvido que ela (Antares) seja maior que o sol". Viva a cordialidade! Viva a loucura, pelo amor de Deus.
Certo, não restam mais dúvidas. Mas o que pode fazer, então, uma nação de loucos? Uma nação formada por seres humanos que amam demais, por seres humanos muitas vezes mais interessados na beleza dos sentimentos do que na leveza do capital ou na dureza de uma república sólida e rígida, cheia de modernices, cheia de certezas. Aquela xícara de açucar você não deve ter recusado, certo?
Ultimamente eu tenho tido medo destas certezas todas, destas todas certezas. Tolices criadas por alguns franceses, uns ingleses e uns alemães (quiçá uns norte-americanos) e incorporadas por nós em solos férteis regados ao melhor sal europeu. (E aqueles que nutrem certeza na ciência? Estes chegam a me divertir muito, mais talvez do que aqueles racionalistas divertiam Erasmo. Os mais certos na ciência geralmente são aqueles que menos a conhecem, tamanha a ironia e a lógica desta relação). A loucura cordial é uma das formas de libertação destas lógicas certas, destas lógicas, da lógica.Ultimamente eu tenho tido medo destas certezas todas.
Afinal de contas, como já diria o nosso querido Érico Veríssimo, na voz de Francisco Vacariano: "eu ainda duvido que ela (Antares) seja maior que o sol". Viva a cordialidade! Viva a loucura, pelo amor de Deus.
Sunday, January 07, 2007
Reflexão morosófica n. 1
Aí está tudo o que queria dizer.
Relações de causa e efeito vão se propagando e
sem mais nem menos surge a síntese de tudo o que
gostarias de dizer. Dizer-me.
É a morosofia que comanda nossas almas
a partir do presente momento. Nada de poesia.
Muito menos filosofia. Poiesis, ou seja lá como se escreva isso,
é só um sonho distante pensado por um velho barbudo.
Estamos todos de volta. Agora é a deusa que vem nos guiar.
Ela está ali na sala a me olhar...
Racional uma ova! Aqui não se verá nada de novo, nem nada de diferente:
há somente aquela velha constatação.
êita loucura. êita insensatez. Que bom que voltastes!
Relações de causa e efeito vão se propagando e
sem mais nem menos surge a síntese de tudo o que
gostarias de dizer. Dizer-me.
É a morosofia que comanda nossas almas
a partir do presente momento. Nada de poesia.
Muito menos filosofia. Poiesis, ou seja lá como se escreva isso,
é só um sonho distante pensado por um velho barbudo.
Estamos todos de volta. Agora é a deusa que vem nos guiar.
Ela está ali na sala a me olhar...
Racional uma ova! Aqui não se verá nada de novo, nem nada de diferente:
há somente aquela velha constatação.
êita loucura. êita insensatez. Que bom que voltastes!
Saturday, July 29, 2006
Poemar
Hoje o céu está escuro e cinza, resolvi poemar.
Se só vejo montanhas, paredes e árvores tortas,
Corro a pena no papel escrevendo sobre o mar.
Salto para o lado e canto o axé de Coisa-mais-linda.
Andorinhas viram anjos
E as ruas alumiam.
Param céu e terra frente à água modelo.
Justa perdição,
Justo desterro.
O que pode querer mais o poemeiro?
São todas as mágoas desfeitas no sopro,
Nos olhos, e no cheiro (de ensismeiro).
Obs: poema é coisa mais triste que se tem notícia. Lava a alma, mas lava sozinha; lava sem duas vozes, lava.
Sunday, June 25, 2006
Compra e Venda (nova)
Olá.
Como vai?
Eu vou indo, e quero pão. Quanto me custa?
(Quem não há de se lembrar da bela canção?).
O pão é 5. Cinco centavos.
Ótimo. Veja-me seis. 6 pães.
Aqui está, muito obrigado. É só passar no caixa.
Olá, bom dia senhor.
Bom dia.
São 30 centavos. 0,05 X 6 = 0,30.
É verdade. Adeus.
Senhor! Não vais pagar? São 30 centavos.
Não, não vou pagar.
Como não vais pagar? Custam 30 centavos, ora, pois.
Não vou pagar. Fiquei louco. Fiquei louco, não vou pagar. Eu fiquei louco, por isso não pago.
É possível parar de rir agora.
Como vai?
Eu vou indo, e quero pão. Quanto me custa?
(Quem não há de se lembrar da bela canção?).
O pão é 5. Cinco centavos.
Ótimo. Veja-me seis. 6 pães.
Aqui está, muito obrigado. É só passar no caixa.
Olá, bom dia senhor.
Bom dia.
São 30 centavos. 0,05 X 6 = 0,30.
É verdade. Adeus.
Senhor! Não vais pagar? São 30 centavos.
Não, não vou pagar.
Como não vais pagar? Custam 30 centavos, ora, pois.
Não vou pagar. Fiquei louco. Fiquei louco, não vou pagar. Eu fiquei louco, por isso não pago.
É possível parar de rir agora.
obs: texto inspirado numa aula do prof. Márcio Túlio. Ele sim é louco.
Monday, May 01, 2006
O padre
Era uma vez um padre ... que enxergava o mundo
Que falou ... e foi reconhecido
E então ... virou bispo.
Mas recusou essa oferta
Por temer se afastar do caminho:
Encargos burocráticos são estrada sem fim;
Afastam-se de seu propósito e desvirtuam sua base.
A base que, para ele, é Pai, Filho e Espírito Santo
Que, para outro, é Alá
Que, para mim, é uma idéia.
Mas que, para todos, é o mesmo.
Era uma vez um padre ...que me mostrou uma riqueza esquecida
Um padre que admite os erros e busca superá-los
Que é sábio e tem o dom da palavra
Que transmite a paz em uma oração.
Esse padre é budista,
E faz vudus com um pai-de-santo.
Ou melhor, esse padre foi quem vi em sonho
Celebrando a união eterna de João palestino e Maria judia.
Que falou ... e foi reconhecido
E então ... virou bispo.
Mas recusou essa oferta
Por temer se afastar do caminho:
Encargos burocráticos são estrada sem fim;
Afastam-se de seu propósito e desvirtuam sua base.
A base que, para ele, é Pai, Filho e Espírito Santo
Que, para outro, é Alá
Que, para mim, é uma idéia.
Mas que, para todos, é o mesmo.
Era uma vez um padre ...que me mostrou uma riqueza esquecida
Um padre que admite os erros e busca superá-los
Que é sábio e tem o dom da palavra
Que transmite a paz em uma oração.
Esse padre é budista,
E faz vudus com um pai-de-santo.
Ou melhor, esse padre foi quem vi em sonho
Celebrando a união eterna de João palestino e Maria judia.
Texto cedido pelo amigo Eduardo.
Saturday, February 18, 2006
Enquanto isso...
Enquanto isso, o amor espera lá fora
impaciente na sala de espera.
E o salão principal ainda guarda,
em meio à penumbra que o domina,
um restinho de luz do antigo amor.
Esse amor na reserva teima em despertar a poesia moribunda
que ronca no peito do poeta inexistente.
E o antigo amor cutuca o amor sem face, zomba dele, insulta-o
mas pede sua presença...
Enquanto isso, convém uma distração...
Bem que eu lutei,
joguei o jogo dos ratos,
pus o coração de lado,
por instantes, senti o gosto ilusório do triunfo...
mas esse é um jogo de cartas marcadas,
de antemão, já se sabe o perdedor,
o que tem um coração pra dar, nada além de um coração...
Não se engane não, a prata em seu dedo ainda reluz dolorosamente nesse palpitar caduco.
Até quando vai durar?
Escrito por Lauret Casturro
impaciente na sala de espera.
E o salão principal ainda guarda,
em meio à penumbra que o domina,
um restinho de luz do antigo amor.
Esse amor na reserva teima em despertar a poesia moribunda
que ronca no peito do poeta inexistente.
E o antigo amor cutuca o amor sem face, zomba dele, insulta-o
mas pede sua presença...
Enquanto isso, convém uma distração...
Bem que eu lutei,
joguei o jogo dos ratos,
pus o coração de lado,
por instantes, senti o gosto ilusório do triunfo...
mas esse é um jogo de cartas marcadas,
de antemão, já se sabe o perdedor,
o que tem um coração pra dar, nada além de um coração...
Não se engane não, a prata em seu dedo ainda reluz dolorosamente nesse palpitar caduco.
Até quando vai durar?
Escrito por Lauret Casturro
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