Wednesday, January 28, 2009

Tema para a roda do tempo dos pobres

…enquanto for preciso… …não saio do lugar…

…desculpo-me convosco…

…pois, nós sobreviremos…

…pelo jeito mal feito…

…não dessa vez… …mas não saio… …com que resolvi contar…

Tuesday, January 27, 2009

Nota sobre a necessidade

Em aberto encontro    
  um todo poder  
    e um tudo aprender
  Mas quem há de  
ensinar?    
  Esse que ensina,  
    onde aprendeu?
  E esse que o  
ensinou,    
  fez apenas viver?  

 

 

O samba nasceu lá na Bahia.

 

Mas há controvérsias.

Technorati Marcas: ,

Sunday, January 25, 2009

Sunday, January 18, 2009

Ode à velhice

Em verso, uma vida de momentos.

Desesperos julgados, anseios marcados, rios vazados.

Visto-me em eu de sofrimentos.

 

O velho recém feito alado,

com seus olhos lentos, com seus anos centos, seus dias extensos,

Desfez-se de meus punhos atados.

 

 

 

Eu a espero pacientemente.

Monday, November 24, 2008

poema envergonhado

Às vezes dá vontade de ser diferente. E aí dá vontade de fugir.

 

Mas fugir não é fazer a mesma coisa?

 

Dói, dói, dói, dor de cabeça amada.

Dói e me faz vivo.

 

Viver é ter muita dor de cabeça.

Sunday, July 13, 2008

Canção da Saudade

"Minha canção da saudade calha:

canto, canto para não precisar cantar.

canto para em ti te encontrar.

canto porque só assim a saudade faz sentido".


Eduardo, el Conejo

Monday, July 07, 2008

Reflexões de Férias n. 1

Digo com toda a sinceridade: precisamos ser menos sábios e mais idiotas.

Saturday, June 07, 2008

Poeminha Camarada

 

 

Poeminha amigo de tantas horas,

Invoco-te, aqui, novamente.

És meu tradutor de galhofas,

Fiel camarada inocente.

 

Se quando te chamo demoras,

Sei que a causa é a semente:

Mamãe de tantas apostas

Para minha esperança nascente.

 

Os versos de tantos emboras,

Porquês de um eu-calado ausente,

São as inefáveis faces vistosas,

De nossa amizade patente.

 

Onde se esconde a poesia, Fernanda?

Tuesday, January 15, 2008

Ah, a beleza do mundo

Ah, a beleza sincera do mundo.
O passo em falso e o abismo,
Que seja, o absurdo.

Mas, ainda prefiro a beleza do mundo.
O doce salgado do mar e o azul profundo.
(Sim, aquele computador do xadrez).

Qual nada, ainda nos resta a beleza do mundo.
Absorto e impávido colosso de costas ao chão.
Será feita a tua vontade, não te desespera beleza
Do mundo. E o mundo o que te fez? Diga beleza!
Ou junte estas coisas imundas e parta daqui; vá s'embora
Do mundo. Que te acolhe, acaricia, brinca, chora e
ri, desgasta, some, perfuma, pinta, lava, passa, come e abraça
O mundo. Sim, a beleza é banal. Banal qual esfera ôca e a ilha,
sozinha, intrépida, valente. Mas banal sim, banal como tudo, pois banal
É o mundo.

Sunday, January 13, 2008

"it's your dream, it's your destiny"

Esta foi a parte final do discurso do Presidente George W. Bush em ocasião de sua visita ao Oriente Médio. Hoje, em Abu Dhabi, este tão criticado sujeito mostrou que seus assessores, assim como boa parte da direita intelectualizada americana, têm conseguido renovar e aprimorar sobremaneira o ideário conservador. Certo é que dizer que a democracia é um sonho e um destino levanta inúmeras questões. Questões por demais complexas que eu, mero Gulliver, não me atreveria, neste momento, a tentar responder. Meu sentimento, no entanto, é o de aqui concordar com esse odioso senhor e com seu agradável sotaque texano (isto não foi uma ironia). Quero acreditar na democracia como estágio avançado de socialização humana, como índice de universalização, como passo majoritário em direção à dignidade da pessoa humana. Passo este que não é único, mas é decisivo. Passo fundamental para a construção de um ideal posterior de solidariedade onde, aí sim, todos poderemos nos fazer diferentes mesmo sendo iguais. Independente de diferenças culturais ou de processos civilizatórios, acredito na democracia para todos.
Devo dar o braço a torcer. Achei brilhante boa parte do discurso do Presidente. O que não significa que compartilhe de sua política externa ou de seu plexo de idéias neocons. Enfim, lá no fundo, apesar de viajarmos em lados distantes no espectro ético-político, parecemos querer coisas semelhantes.
Ao menos em nossos discursos*.
*: aí está uma boa discussão. Bush também pareceria um Gulliver?

Sunday, January 06, 2008

Pequenas Anotações ou Um Diário Serve Para Isso

Fiz uma pequena viagem ao Sertão Mineiro. Fiz, mas isto não importa. O que acho que pretendo dizer, na verdade, é que, durante esta calorosa viagem, fui surpreendido pela gostosa leitura de um clássico da literatura Infanto-Juvenil: Guliver's Travels. Lindo, excelente, contagiante, versátil e tudo o mais que uma obra-prima deve conter. Ótimo, estou amadrecendo bem o meu desejo de visitar todas as grandes obras que agradaram as crianças e que, de alguma forma, não foram exatamente escritas para elas. Isto, entretanto, também não importa agora.
Convém simplesmente anotar aqui que, na última noite, algo me amendrotou e me fez fraquejar. Será que este jovenzinho que escreve não é, em verdade, e sempre será, um projeto avançado de Guliver? Será que todos os dias em que subi o Aglomerado da Serra, disposto sinceramente a ajudar; a transformar; a transcender; a rir; a chorar; a trabalhar; a compartilhar (repito, sinceramente), não fiz mais do que observar como um gigante monstruoso o que foi a derrota, o declínio de pequenos humanos? Temo ter me limitado a enxergar as coisas numa escala equivocada, tendo uma visão ampla e generalizada daquilo que é bonito em sua totalidade, isto é, naquela universalidade que resguarda os traços mais singulares. Será que meus passos foram os mesmos daquele Guliver que chega a Liliput como um Leviatã, como um Homem-Montanha?
Apenas pequenas notas.
Ah, resolvi seguir, desta vez, o conselho de meu velho pai: comprei um caderno que vai se transformar em diário. Porquê? Porque acho que o ano de 2008 vai entrar para a história.

Monday, December 17, 2007

dear old stockholm


"A tradição dos oprimidos nos ensina que o 'estado de exceção' em que vivemos é na verdade a regra geral".
Walter Benjamin
ao invés da galinha atordoada pintada por Klee, eu proponho que o Miles seja a representação fidedigna do anjo da história.

Thursday, November 15, 2007

Vigia noturno

Há exatos dois meses eu nada escrevo neste diário. Há quase 36 anos, minha Avó comprava "Noites do Sertão", livro que mudaria por completo sua vida.
Faz mesmo algum sentido se assentar em frente a um computador e digitar letras que formam palavras tão carregadas de preconceitos e de paixões?
Surupita é um pobre coitado ou um herói de verdade? Andam por aí contadores de histórias que relatam feitos fabulosos; cantam as aventuras de valentes homens que eram capazes de vencer o calor e a sede, de suplantar as dores mais agudas, de levar bois e boiadas inteiras até o Goiás. Mas de nada adianta lembrar as realizações de pobres caboclos se eles continuam sendo escravos; se os senhores somente lhes permitem a morte, enquanto esquecimento.
Trabalhar, sabe? --> transformar as coisas de um jeito profundo. Acho que, em verdade, é um pouco isso que a gente sonha. Uma cama bonita, uma roseira defronte da casa, e quatro luas no céu. E depois morrer e virar estrela; ficar brilhando a noite inteira vendo o povo dormindo. Saudade que dá na gente, dá.
Moi, je pense qu'établir quelque moyen-terme c'est un grand erreur. Je n'aime pas Aristote.
Um milhão de formigas no quarto. Juro, todas elas tentando pular na minha cama.
" Tudo porque você veio e ficou. O violão é um pedaço grande do meu coração, que agora entoa esta canção e a alegria de viver".

Saturday, September 15, 2007

Atrevimento sincero

De ti, ainda que em mim, permanecerá para sempre uma imagem em preto e branco.
O vestido esvoaçado, o cabelo preso e o sapatinho de boneca.
E rodar: rodar eternamente nesse encantamento sincero em que tudo é possível.
Pois, de grão em grão, cada filigrana de areia ríspida se esvai desse meu coração.
Um beijo - um beijo daqueles que só podem ser dados em estado ebrifestivo - é a epifania e a catarse.
É a redenção; a tão famosa redenção.



Teu beijo é redentor, menina!, e por isso me atrevo a aqui descrever o indescritível.

Saturday, August 18, 2007

O pior ainda está por vir.

Graviora Manent.


"Adeus amigo porco, amigo sapo, amiga anta. Voltarei ao último recanto onde ainda é possível sonhar. Se sonho, é porque é de sonho que precisais: é em sonho que vos salvo".

O baú d'ouro, o pé-de-feijão, a bota de sete léguas.

Saturday, July 28, 2007

Brincadeiras e Traquinices no Reino Mágico da Fantasia Encantada

Um dia de morte todo dia.
E o dia invisível é um regalo.
Um dia de abissofobia.
E o dia invisível do estalo.
De onde tiras tamanha euforia?
Compete-me navegar triste páralo?
Desperto em tua caligrafia,
encontro descanso ao fim do ralo.
Prensa de Deus é enorme abadia.
Crianças choram de encontro ao malo.
Mas não me pergunte se mia
ou se rosna o canhestro cavalo.
Rir.

Friday, July 06, 2007

Passeio

Eis que o andar redime. O tenro ocaso que ora reflete o sangue das ruas é a mais aconchegante companhia nestes dias cinzentos: os dias sem-fim. A humidade imunda e a fuligem cerrada também são grandes companheiras. Caminhamos todos, lado a lado, numa perfeita simetria democrática em que cada um é obrigado a respeitar os demais; todos sabemos os limites de nossas liberdades. As gotículas enturvecidas pela poluição dos carros não se atrevem, por exemplo, a tomar o lugar da fuligem que entra por minhas narinas e atinge meu pulmão asmático. Quase uma república.

Entretanto, devo me manter firme. O andar redime, como já dizia. Entro cada vez mais em contato com a cidade e a cidade, como ser instintivo que é, começa a impregnar minha pele. Eu gosto muito disso tudo. "Mais uma dose de adrenalina, por favor - assim eu consigo me sentir um pouco mais morto". Maravilhoso! sinta o cheiro acre que emana destes boeiros. Sinta a inefabilidade dos caminhões e ambulâncias que percorrem cada ruela; sinta o Estado entrando nos guetos com o giroflex ligado e pronto para matar e matar; sinta o quão sirênicas são as luzes dos postes; sinta a inexistência tangível das estrelas. "Starless".

Não te desespera, amigo. O andar ainda redime.





"A natureza que se constitui na história humana - no ato de criação da sociedade humana - é a natureza real do homem; por isso a natureza, tal como se constitui através da indústria - ainda que sob uma forma alienada -, é a verdadeira natureza antropológica." Karl Marx, Der historiche Materialismus: Die Frühschriften.

Saturday, June 02, 2007

Dois velhos Comendo













Dois velhos comendo. Óleo sobre muro passado à tela de Goya. Imagem soturna e lôbrega, pintada pelo espanhol, que sugere dois seres humanos decrépitos, cavados e esburacados pela ação do tempo. Sugere.


Esta obra, que é classificada como pertencente à série "pinturas negras", trás um desconforto logo à primeira vista. A quantidade de cores escuras e os traços pouco regulares nos retiram o foco e nos retiram a esperança. "Tempo sobre homem".


O interessante é que a figura nos sugere um novo olhar. Um segundo olhar. E é assim que somos obrigados a nos afastar. Dois passos para trás são necessários . Pois bem, diferentemente da ratio iluminista que nos força a chegar cada vez mais perto e, cada vez mais, iluminar os objetos de nossa razão, Goya nos faz recuar; é no recuo que somos capazes de finalmente focalizar a imagem. Somos impelidos a apreciar a escuridão, o sombrio, o sinistro. Somos obrigados a ver o entorno que nossa razão cisma em escurecer. É neste ponto exato que não conseguimos mais desviar o olhar pura e simplesmente: enxergamos o além que estava enturvecido pela luz. O velho de olhos macabros; o velho cadavérico; a morte. A velhice não é a velhice morta sem a pobreza. Era isso.


Era a pobreza que estava escondida. Era a pobreza que não poderia ser olhada de perto. Goya nos mostra o que temos feito, o quão responsáveis somos pela escuridão do quadro. O ensombrado desperto insinua o dever de sairmos de nós mesmos e voltarmos. Precisamos necessariamente refletir sobre a causa da desgraça daqueles dois homens que, com os passos para trás, já não mais o são. Se o mal pode ser representado, a representação definitiva da pobreza é essa: obscura, de difícil focalização; solitária mesmo quando acompanhada; velha, ultrapassada, decadente; desamparada. Enfim, é o olhar.



O ver quando é forçado repugna, amedronta. Novamente a visão parece ficar turva e os olhos teimosamente se fecham ao ir embora. Chega de Goya. Chega de pobreza.

Sunday, March 25, 2007

désormais, désormais

Désormais, j'ajouterai la poésie.
Poésie complémentaire.

Doravante, em cada esquina que eu veja,
em cada esquina que se sinta,
em cada encruzilhada.

O complemento da vida em palavras,
as palavras retratadas, desvairadas.
O ar seco, doidivanas!

Ma puissance, mes mots.
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